25 de fev. de 2013

Lama no Grasel - Cinturão Verde escorre pelo asfalto



De volta das férias, folheando alguns jornais passados, para "retomar acontecimentos perdidos", me deparei com um pequena notícia na página 05 do jornal Gazeta do Sul, de 13 de fevereiro (com a foto "divulgação" acima, com os devidos agradecimentos pela publicização da imagem):


Gazeta do Sul

Santa Cruz do Sul

Edição de 13/02/2013

Chuva

Deslizamento bloqueia o trânsito no Acesso Grasel

Uma grande quantidade de barro deslizou sobre a pista no Acesso Grasel, por volta das 14 horas de ontem, fazendo com que o trânsito ficasse bloqueado por cerca de quatro horas. A Brigada Militar de Santa Cruz do Sul isolou o local e retroescavadeiras foram usadas para limpar o asfalto.

Uma construtora que trabalhava na região cedeu o maquinário. Segundo o Corpo de Bombeiros de Santa Cruz do Sul, não é a primeira vez que o barro invade a pista em um deslizamento, mas o volume deve ter sido maior devido ao entupimento das canaletas de escoamento, nas margens da pista.

(FONTE: http://www.gaz.com.br/gazetadosul/noticia/392154-deslizamento_bloqueia_o_transito_no_acesso_grasel/edicao:2013-02-13.html)



Eu sei de onde sai toda esta lama – terra, pedras, paus, plantas. Sai da abertura de um loteamento “morro acima” – deixando uma clareira, uma enorme cicatriz em linha reta.

Havia uma placa lá com o nome da empresa “ambiental” que “licenciou” a área... Mas não parece haver medida alguma para preservar o terreno da tremenda erosão que está acontecendo; destruição geológica e, claro, da fauna e flora, ocorrem a cada enxurrada.

Se há alguma medida para evitar ou ao menos minimizar tais consequencias, elas se mostram totalmente ineficazes.

Me pergunto o que os órgãos ambientais e outras estruturas públicas (ou seja, secretarias, fundações, promotorias, polícias, departamentos etc.) – pagas com dinheiro público, suado de cada cidadão – fazem quando a imprensa publica algo que mostra o flagrante absurdo ambiental que estão a ocorrer “nas nossas barbas”? Como classificar isso: omissão, prevaricação, icapacidade, incompetência, cumplicidade, desintersse, outros interesses?

Será preciso ocorrer algo semelhante a Boate Kiss, em Santa Maria - onde o "não dá nada" chegou a um resultado trágico, num somatório de "deixa pra lá" - para que percebamos do conjunto de irresponsabilidade que estamos praticando, endossando ou convivendo como se fôssemos idiotizados, bois resignados em suas cangas?

A cidade está cada vez mais maculada pela ação da expansão imobiliária. Não se trata de ter uma posição “radical” contra "x" ou "y", mas de ter cuidados e medidas básicas para evitar ao máximo os impactos, como o deslizamento no Grasel. A integridade natural da área, conseiderando que estamos na segunda década do século XXI, não mereceria atenção?


Não raro (ou quase sempre), o que se vê NÃO É um processo cuidadosos, responsável, ético, tecnicamente correto, mas uma operação sorrateira de paulatino desmatamento – com a conivências espúrias de “técnicos” e “autoridades” –, como dráticas modificações geológicas e do ecossistema da área, com imensas e ainda não avaliadas consequências futuras.