9 de dez. de 2013

E na semana passada, a situação se repetiu no Bairro Pedreira...

Para quem não viu, segue o endereço para a reportagem no portal Gaz, incluindo foto e vídeo:

http://www.gaz.com.br/_conteudo/2013/12/noticias/regional/7912-cratera-poe-morador-do-bairro-pedreira-em-risco.html


Em um dos comentários publicados, Marcos Adolphs sintetiza bem:

"Não sei se é o caso, mas a verdade é que cada vez mais água com lama estão descendo de nossos morros, culpa dos loteamentos desordenados sobre eles. Vamos mudar o nome de nossa cidade para Nova Petrópolis do Sul? Tragédias estão cada vez mais anunciadas. Senhores investidores: a lei e jeitinhos até podem permitir esses empreendimentos, mas tente explica-los a seus filhos. Creio que não conseguirão justificativa moral para isso. Ficam cada vez mais ricos, deixando um legado de desmatamento."

Entretanto, notícias preocupantes continuam saindo na imprensa...

Em outubro passado, o jornal Gazeta do Sul publicou mais uma notícia que reforça a preocupação com uma situação que não é mais "fantasia", mas a realidade: grandes deslizamentos de terras pela cidade. Causas? Todos sabem... Soluções? Existem, sim.

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Gazeta do Sul, 10 de outubro de 2013 (p. 13)

SANTA CRUZ

Parte de morro em área de proteção desabou na Rua Antônio Assmann, há cerca de duas semanas

Prefeitura vai analisar deslizamento

Os motivos que provocaram a queda de parte de um morro na Rua Antônio Assmann, no Bairro Belvedere, serão analisados pela Prefeitura junto com a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). A situação preocupa os especialistas, que temem que novos deslizamentos possam acontecer no local e também em outros pontos do município.

(...)

a intervenção humana, com construções e retirada de materiais, teria acelerado o processo.

(...)

Parte do morro desabou sobre um terreno no final da Rua Antônio Assmann. A poucos metros dali existem dezenas de residências, que correm risco. Na mesma rua, em agosto, uma pedra de meia tonelada despencou sobre uma garagem.

(...)

“A gente tem que pensar não só naquele caso ali, mas na situação de todo o Cinturão Verde”.

Livro "Cinturão Verde: E Agora?"

O blog anda parado. Além da migração das postagens e debates para o Facebook, nos últimos anos têm surgido iniciativas interessantes, que acabam "drenando" a questão e oferecendo outras formas de luta.

Uma delas é o livro "Cinturão Verde: E Agora?", do geólogo santa-cruzense José Wenzel, que praticamente esgota o assunto e demonstra a importância da questão e a situação periclitante. Uma fonte de informação, conscientização e proposições concretas, que quando este blog foi aberto, nem se sonhava!

Nosso reconhecimento ao esforço do geólogo e a iniciativa do Grupo Gazeta em publicá-lo.

Obviamente que falta fazermos das palavras, atos! Informações, alertas e meios, não nos faltam. Já abundam!

E o livro está disponível e não custa nada! Basta acessar o seguinte endereço:

http://www.grupogaz.com.br/editora/anuarios/show/4130.html


10 de mai. de 2013

Operação Concutare e Cinturão Verde

O jornal Gazeta do Sul, aqui de Santa Cruz, em sua edição de 07 de maio passado, publicou na coluna do leitor um texto muito interessante, que reproduzimos abaixo, visto a pertinência com os objetivos deste blog, em que pese a reclamação discutível sobre o tratamento dado a proprietários rurais. Todo o caso, a lei deveria ser igualmente aplicada a todos, como explicita-se na manifestação a seguir.

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MEIO AMBIENTE

A operação Concutare da Polícia Federal é a última pedra que apareceu no sapato de políticos inescrupulosos trazendo à tona transgressões contra a natureza que não acontecem só aqui. Também é afetada a Amazônia, o Pantanal, Cerrado, etc.

Aqui em Santa Cruz não é diferente. O cinturão verde está desaparecendo e em 10 anos não restará muita coisa. Basta dar um passeio por aí e conferir. Tem gente que já teve e ainda tem chances de fazer alguma coisa, mas é difícil lutar contra os poderosos. Em Vera Cruz também é assim. Imobiliárias e loteadoras derrubam hectares e mais hectares de mata nativa. Tem loteamento onde a lembrança do verde ficou só no nome. Tudo em nome do progresso e do dinheiro.

Mas quando um agricultor derruba umas 10 árvores, nem que seja só para abrir um caminho, alguém denuncia e pronto, vem a “fiscalização” e tome multa e processo. Não há tratamento igual entre interior e os loteamentos. Por último, entra a compensação do dano ambiental. Em muitos casos é uma piada, porque ninguém fiscaliza. Eu mesmo já vi exemplos de como não funciona, só no papel. A única solução para que a natureza seja salva, seria daqui para a frente proibição total para a derrubada de matas nativas.

21 de mar. de 2013

Ecochatos X Ecoperversos

Acho que o grande jornalista, professor da PUC-RS e escritor Juremir Machado não vai se importar que a gente reproduza a crônica dele aqui neste espaço. Tem tudo a ver com o que estamos fazendo com o Cinturão Verde, ou seja, cada vez mais descaracterizando-o, descaracterizando a própria lei, achando brechas (na lei e nas áreas onde se vai construir o novo lotemaneto!), tudo em nome de uma expansão urbana que ainda vai mostrar seus efeitos (lembro aqui, embora abordando outra questão ecossistêmica, do livro eco-cult "Primaver Silenciosa", de Rachel Carson - fica a dica de leitura), aliás, como já acontece, vide o exemplo mostrado na postagem anterior.

Como diz Juremir, existe uma mentalidade perversa ainda em operação, mesmo que já tenhamos adentrados na terceira década do século XXI...


Mas talvez pior que a posição explícita antiambientalistas, são os pseudoambientalistas, que cinicamente se fazem passar por pessoas "muito preocupadas", quando o que vale, mesmo, é um outro tipo de "verde"...


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Árvores tombadas e clichês em queda livre

*Postado por Juremir em 18 de março de 2013

– Os ecochatos tentam frear o progresso.

Ainda é comum se ouvir esse clichê na boca de quem imagina combater todos os lugares-comuns deste mundo.

– Por causa de um coruja não se pode tocar uma obra.

Os “progremalas”, xiitas do lucro a qualquer custo, odeiam ser atrapalhados por considerações ecológicas. Continuam a achar que a natureza é um repositório infinito de bens a serem devastados sem qualquer limite.

– A vanguarda do atraso impede o país de crescer.

Essa afirmação é feita em tom solene e, ao mesmo tempo, jocoso por homens que jamais se questionam diante do espelho. É um pessoal que parou no tempo. Uma turma que ainda pratica o capitalismo do século XIX. Se for para crescer economicamente, pode poluir à vontade. Se for para ganhar muito dinheiro, pode desmatar sem constrangimento. Se for para os carros andarem mais rápido, pode derrubar quanto árvores se fizer necessário. A vida desses amantes da motosserra está cada vez mais difícil. O cerco em torno deles não para de se fechar.

Hoje tem audiência pública na Câmara de Vereadores sobre a derrubada das árvores da avenida Edvaldo Pereira Paiva, em Porto Alegre. Por mais algum centímetros de pista para os bólidos dos nossos apressados motoristas, de acordo com o plano de mobilidade para a Copa do Mundo de 2014, mais de cem árvores devem cair. Elas estão marcadas para morrer. Todas assinalada com um “c”. Os comedores de concreto estão dispostos a tudo pelo “progresso”. O que são cem árvores para eles? Árvores, segundo o prefeito, “que ninguém usa”. O importante é ter asfalto novinho para mostrar na próxima visita da Fifa.

– Florestas, bosques, matas, árvores abatidas – diz um personagem, intérprete de “O pato selvagem”, de Ibsen, no clássico “Árvores abatidas” do genial Thomas Bernhard.

Quando os atuais comedores de concreto eram crianças, implicar com os outros, especialmente com os mais fracos, era normal; molestar meninos e meninas era comum e morria no silêncio dos lares com seus segredos letais; não deixar negros entrarem em clubes social fazia parte dos costumes na maioria das nossas cidades; fumar na cara dos outros era charmoso; destruir a natureza era uma obrigação de homens empreendedores, sérios e comprometidos com o futuro. Agora, isso tudo é chamado por seus nomes: bullying, pedofilia, racismo, tabagismo, burrice antiecológica, etc. Há quem sofra terrivelmente com essa nova realidade limitadora dos seus movimentos.

– O politicamente correto nos deixa de mãos amarradas.

Precisamos de mais asfalto ou de mais árvores? Entre mais asfalto e preservação das árvores, o que deve ser prioridade? Um comedor de concreto supostamente com senso de humor, deixando escapar seu racismo, saiu-se com esta:

– Para que tantas árvores se temos poucos macacos.


FONTE: http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/

25 de fev. de 2013

Lama no Grasel - Cinturão Verde escorre pelo asfalto



De volta das férias, folheando alguns jornais passados, para "retomar acontecimentos perdidos", me deparei com um pequena notícia na página 05 do jornal Gazeta do Sul, de 13 de fevereiro (com a foto "divulgação" acima, com os devidos agradecimentos pela publicização da imagem):


Gazeta do Sul

Santa Cruz do Sul

Edição de 13/02/2013

Chuva

Deslizamento bloqueia o trânsito no Acesso Grasel

Uma grande quantidade de barro deslizou sobre a pista no Acesso Grasel, por volta das 14 horas de ontem, fazendo com que o trânsito ficasse bloqueado por cerca de quatro horas. A Brigada Militar de Santa Cruz do Sul isolou o local e retroescavadeiras foram usadas para limpar o asfalto.

Uma construtora que trabalhava na região cedeu o maquinário. Segundo o Corpo de Bombeiros de Santa Cruz do Sul, não é a primeira vez que o barro invade a pista em um deslizamento, mas o volume deve ter sido maior devido ao entupimento das canaletas de escoamento, nas margens da pista.

(FONTE: http://www.gaz.com.br/gazetadosul/noticia/392154-deslizamento_bloqueia_o_transito_no_acesso_grasel/edicao:2013-02-13.html)



Eu sei de onde sai toda esta lama – terra, pedras, paus, plantas. Sai da abertura de um loteamento “morro acima” – deixando uma clareira, uma enorme cicatriz em linha reta.

Havia uma placa lá com o nome da empresa “ambiental” que “licenciou” a área... Mas não parece haver medida alguma para preservar o terreno da tremenda erosão que está acontecendo; destruição geológica e, claro, da fauna e flora, ocorrem a cada enxurrada.

Se há alguma medida para evitar ou ao menos minimizar tais consequencias, elas se mostram totalmente ineficazes.

Me pergunto o que os órgãos ambientais e outras estruturas públicas (ou seja, secretarias, fundações, promotorias, polícias, departamentos etc.) – pagas com dinheiro público, suado de cada cidadão – fazem quando a imprensa publica algo que mostra o flagrante absurdo ambiental que estão a ocorrer “nas nossas barbas”? Como classificar isso: omissão, prevaricação, icapacidade, incompetência, cumplicidade, desintersse, outros interesses?

Será preciso ocorrer algo semelhante a Boate Kiss, em Santa Maria - onde o "não dá nada" chegou a um resultado trágico, num somatório de "deixa pra lá" - para que percebamos do conjunto de irresponsabilidade que estamos praticando, endossando ou convivendo como se fôssemos idiotizados, bois resignados em suas cangas?

A cidade está cada vez mais maculada pela ação da expansão imobiliária. Não se trata de ter uma posição “radical” contra "x" ou "y", mas de ter cuidados e medidas básicas para evitar ao máximo os impactos, como o deslizamento no Grasel. A integridade natural da área, conseiderando que estamos na segunda década do século XXI, não mereceria atenção?


Não raro (ou quase sempre), o que se vê NÃO É um processo cuidadosos, responsável, ético, tecnicamente correto, mas uma operação sorrateira de paulatino desmatamento – com a conivências espúrias de “técnicos” e “autoridades” –, como dráticas modificações geológicas e do ecossistema da área, com imensas e ainda não avaliadas consequências futuras.