Saiu ontem, 26/10/2011, um “pequeno- grande” texto na imprensa santa-cruzense (Gazeta do Sul, p. 2), apresentando a importância da biodiversidade única do Cinturão Verde, ilustrada pela bromélia de nome cientípfico Aechmea winkleri, apenas existente nessa área (e em mais lugar algum do mundo!) e fundamental na manutenção do ecossistema local e riquesa das espécies vivas do planeta Terra.
Parabéns a bióloga que o escreveu. Esperamos que sensibilize muitas pessoas. Eis o texto:
Salve a bromélia endêmica do Cinturão Verde
Mais uma vez nos deparamos com a notícia de desmatamento dentro do nosso Cinturão Verde!! Não bastasse o desmatamento “licenciado”, vemos também com frequência a derrubada de árvores de forma ilegal. A indignação de quem trabalha em prol da preservação é cada vez maior, e digo isso porque desde 2008 venho realizando pesquisa com a bromélia Aechmea winkleri, que, como muitas vezes já foi publicado, é endêmica do cinturão, ou seja, ela só ocorre no Cinturão Verde e em nenhum outro lugar do mundo.
Hoje conhecemos um pouco mais da sua biologia e do seu papel na região. Sabemos, por exemplo, que para que ela consiga se reproduzir, depende da presença de beija-flores, abelhas e borboletas. Sabemos ainda que muitos pássaros e mamíferos se alimentam dos seus frutos e flores. A cada árvore derrubada, muitas bromélias acabam sendo eliminadas junto com ela, pois bromélias são espécies epífitas, que vivem sobre as árvores sem prejudicá-las.
Além disso, cada área desmatada faz com que a conexão, o corredor, entre uma população de bromélia e outra, seja perdido, trazendo consequências desastrosas para a nossa bromélia endêmica e espécies associadas.
Se o desmatamento visto atualmente não for barrado, muito provavelmente a bromélia irá sumir e junto com ela todas as espécies associadas!! Até quando ficaremos de braços cruzados, deixando isso acontecer? Quantos de vocês conhecem a bromélia Aechmea winkleri? Querem que as futuras gerações a conheçam? Temos que fazer algo, e urgente!!
Márcia Goetze, Biológa, Núcleo Genética e Conservação de Plantas/Ufrgs
27 de out. de 2011
26 de out. de 2011
Cinturão cede cada vez mais à especulação
Na Gazeta do Sul deste fim de semana saiu uma matéria muito interessante, trazendo a denúncia de moradores das redondezas da divisa dos bairros Santo Inácio e Higienópolis a respeito de um novo loteamento, cuja abertura está destruindo o Cinturão Verde, como já o fizeram outros vários, construídos em zonas questionáveis sobre vários aspectos – mas todos com “respaldos” "ambientais" e "ambientalistas". Por conta do dinheiro se pervertem muitas coisas...
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22/10/2011
Desmatamento revolta moradores
Máquinas e operários trabalham há três semanas na derrubada para a construção de empreendimento
Jeniffer Gularte (repórter)
Enquanto o mapa residencial de Santa Cruz do Sul não para de crescer, a área do maior patrimônio natural da cidade fica cada vez menor. Loteamentos que utilizam o Cinturão Verde como quintal comprometem a preservação dos 465 hectares do pulmão do município. O mais novo empreendimento, que até a metade do ano que vem deve colocar 16 lotes à venda, tem revoltado moradores que não se conformam com a derrubada da vegetação.
Há pelo menos três semanas máquinas e operários têm movimentado uma área na divisa dos bairros Santo Inácio e Higienópolis, local onde o condomínio Parque das Flores será instalado. Um terreno de seis hectares de propriedade particular será loteado pela Construtora Rech. Enquanto o maquinário ajuda a mudar o cenário do cinturão, os vizinhos do desmatamento se mobilizaram para tentar impedir a queda das árvores. “Estão derrubando encostas superiores a 45 graus, que não podem ser cortadas. Quando vier chuva forte o morro virá abaixo”, alerta a engenheira florestal Rejane Bender, que mora no condomínio JackLand ll, localizado nas adjacências.
As medições no local iniciaram há pelo menos cinco anos, segundo ela. “Dói ver esse trabalho porque a gente sabe que não vai ficar só nisso. Assusta ver todas essas árvores sendo derrubadas.” Segundo o pediatra Jorge Bertão, que também reside próximo no condomínio, as máquinas trabalham inclusive aos finais de semana. “Estão derrubando o morro e vão remover terra para rebaixar a área”, afirma.
O caso foi levado no início da semana para o Ministério Público. Os moradores do JackLand II defendem que a Prefeitura não poderia ter dado o licenciamento para a construtora. A promotora de Defesa Comunitária, Simone Spadari, disse que enviou à Prefeitura um ofício na segunda-feira solicitando uma cópia do licenciamento ambiental do local. Até sexta-feira à tarde o MP continuava aguardando a resposta.
O que diz a Rech
-Dentro da área de seis hectares, a assessoria jurídica da empresa afirma que só estão sendo cortadas as plantas que foram liberadas para derrubada pela secretaria municipal.
-O empreendimento está sendo planejado há cinco anos. Atualmente a Terraplenagem Sotel trabalha na abertura de uma rua nos fundos do condomínio JackLand II. Essa será a única via do loteamento.
-Os próximos passos incluem a drenagem da área, colocação de rede pluvial, de esgoto cloacal e estação de tratamento de esgoto, além de luz elétrica e pavimentação do trecho.
-Os lotes ocupam dois hectares e os outros quatro serão de área preservada. A empresa garante que irá manter a vegetação nas encostas do morro.
-No primeiro semestre de 2012, os lotes deverão estar prontos para a venda. O preço dos terrenos ainda não está definido.
Força-tarefa começa a fiscalizar denúncias
Há pelo menos 15 dias a sede da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler (Fepam) de Santa Cruz do Sul tem recebido denúncias de desmatamento irregular para a construção de loteamentos, a maioria deles na área do Cinturão Verde. Na semana que vem a equipe do órgão inicia uma força-tarefa para verificar a procedência das queixas, incluindo os cortes feitos para a execução do empreendimento da Construtora Rech.
Seis denúncias serão analisadas. A gerente regional da Fepam, Alessandra de Quadros, informa que algumas vistorias já foram feitas na semana passada e encaminhadas para a sede do órgão em Porto Alegre. “O município tem o total direito de licenciar. No entanto analisaremos quais são cabíveis ou não”, esclareceu.
Assim que o levantamento estiver concluído, o estudo será encaminhado ao Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), responsável por tomar as medidas em caso de irregularidades.
Empresa deve repor 705 plantas até 2012
Para o execução do loteamento, a Construtora Rech irá derrubar 47 árvores nativas além de outras espécies exóticas. Para cada planta derrubada, a empresa terá que repor outras 15 no local. Até agosto de 2012, 705 mudas deverão ser repostas na área de seis hectares. O projeto prevê 16 lotes, dos quais cinco estão dentro da área do Cinturão Verde.
Segundo o secretário de Meio Ambiente, Alberto Heck, serão cinco lotes que devem ter, no mínimo, 10 mil metros quadrados cada um. “Esses lotes têm bastante vegetação e 90% dela tem que ser preservada.”
A licença prévia para a exploração da área foi dada em fevereiro de 2009 e a licença para o corte foi concedida em julho.
A secretaria recebeu durante a semana reclamações devido ao corte na área. “A gente entende a reação da comunidade porque de fato o impacto visual é forte. Mas a licença saiu daqui porque atende às exigências do Plano Diretor.”
Nessa sexta-feira técnicos da secretaria foram ao local para averiguar o trabalho.
A expectativa é de que o relatório, que será realizado em conjunto com o Departamento de Flores e Áreas Protegidas (Defap), esteja concluído até o final da próxima semana.
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22/10/2011
Desmatamento revolta moradores
Máquinas e operários trabalham há três semanas na derrubada para a construção de empreendimento
Jeniffer Gularte (repórter)
Enquanto o mapa residencial de Santa Cruz do Sul não para de crescer, a área do maior patrimônio natural da cidade fica cada vez menor. Loteamentos que utilizam o Cinturão Verde como quintal comprometem a preservação dos 465 hectares do pulmão do município. O mais novo empreendimento, que até a metade do ano que vem deve colocar 16 lotes à venda, tem revoltado moradores que não se conformam com a derrubada da vegetação.
Há pelo menos três semanas máquinas e operários têm movimentado uma área na divisa dos bairros Santo Inácio e Higienópolis, local onde o condomínio Parque das Flores será instalado. Um terreno de seis hectares de propriedade particular será loteado pela Construtora Rech. Enquanto o maquinário ajuda a mudar o cenário do cinturão, os vizinhos do desmatamento se mobilizaram para tentar impedir a queda das árvores. “Estão derrubando encostas superiores a 45 graus, que não podem ser cortadas. Quando vier chuva forte o morro virá abaixo”, alerta a engenheira florestal Rejane Bender, que mora no condomínio JackLand ll, localizado nas adjacências.
As medições no local iniciaram há pelo menos cinco anos, segundo ela. “Dói ver esse trabalho porque a gente sabe que não vai ficar só nisso. Assusta ver todas essas árvores sendo derrubadas.” Segundo o pediatra Jorge Bertão, que também reside próximo no condomínio, as máquinas trabalham inclusive aos finais de semana. “Estão derrubando o morro e vão remover terra para rebaixar a área”, afirma.
O caso foi levado no início da semana para o Ministério Público. Os moradores do JackLand II defendem que a Prefeitura não poderia ter dado o licenciamento para a construtora. A promotora de Defesa Comunitária, Simone Spadari, disse que enviou à Prefeitura um ofício na segunda-feira solicitando uma cópia do licenciamento ambiental do local. Até sexta-feira à tarde o MP continuava aguardando a resposta.
O que diz a Rech
-Dentro da área de seis hectares, a assessoria jurídica da empresa afirma que só estão sendo cortadas as plantas que foram liberadas para derrubada pela secretaria municipal.
-O empreendimento está sendo planejado há cinco anos. Atualmente a Terraplenagem Sotel trabalha na abertura de uma rua nos fundos do condomínio JackLand II. Essa será a única via do loteamento.
-Os próximos passos incluem a drenagem da área, colocação de rede pluvial, de esgoto cloacal e estação de tratamento de esgoto, além de luz elétrica e pavimentação do trecho.
-Os lotes ocupam dois hectares e os outros quatro serão de área preservada. A empresa garante que irá manter a vegetação nas encostas do morro.
-No primeiro semestre de 2012, os lotes deverão estar prontos para a venda. O preço dos terrenos ainda não está definido.
Força-tarefa começa a fiscalizar denúncias
Há pelo menos 15 dias a sede da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler (Fepam) de Santa Cruz do Sul tem recebido denúncias de desmatamento irregular para a construção de loteamentos, a maioria deles na área do Cinturão Verde. Na semana que vem a equipe do órgão inicia uma força-tarefa para verificar a procedência das queixas, incluindo os cortes feitos para a execução do empreendimento da Construtora Rech.
Seis denúncias serão analisadas. A gerente regional da Fepam, Alessandra de Quadros, informa que algumas vistorias já foram feitas na semana passada e encaminhadas para a sede do órgão em Porto Alegre. “O município tem o total direito de licenciar. No entanto analisaremos quais são cabíveis ou não”, esclareceu.
Assim que o levantamento estiver concluído, o estudo será encaminhado ao Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), responsável por tomar as medidas em caso de irregularidades.
Empresa deve repor 705 plantas até 2012
Para o execução do loteamento, a Construtora Rech irá derrubar 47 árvores nativas além de outras espécies exóticas. Para cada planta derrubada, a empresa terá que repor outras 15 no local. Até agosto de 2012, 705 mudas deverão ser repostas na área de seis hectares. O projeto prevê 16 lotes, dos quais cinco estão dentro da área do Cinturão Verde.
Segundo o secretário de Meio Ambiente, Alberto Heck, serão cinco lotes que devem ter, no mínimo, 10 mil metros quadrados cada um. “Esses lotes têm bastante vegetação e 90% dela tem que ser preservada.”
A licença prévia para a exploração da área foi dada em fevereiro de 2009 e a licença para o corte foi concedida em julho.
A secretaria recebeu durante a semana reclamações devido ao corte na área. “A gente entende a reação da comunidade porque de fato o impacto visual é forte. Mas a licença saiu daqui porque atende às exigências do Plano Diretor.”
Nessa sexta-feira técnicos da secretaria foram ao local para averiguar o trabalho.
A expectativa é de que o relatório, que será realizado em conjunto com o Departamento de Flores e Áreas Protegidas (Defap), esteja concluído até o final da próxima semana.
22 de set. de 2011
Notícia: Câmara aprova criação da comissão do Cinturão Verde
Saiu no Diário Regional:
Em sessão realizada na manhã de ontem, 21/09/2011, a Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul aprovou seis novos projetos de lei. Destaque para a aprovação da matéria, idealizada pelo vereador Ari Thessing, que cria a Comissão Permanente do Cinturão Verde (COPECIVE).
Em entrevista ao Diário Regional após a reunião, Thessing salientou que a comissão terá representantes de várias entidades ligadas ao meio ambiente, que segundo o vereador, terão a função de discutir problemas e buscar soluções, visando preservar o maior patrimônio natural do município.
A preocupação do vereador é com o constante avanço da urbanização na área 465 hectares, do bairro Renascença até o Arroio Grande. “O espaço nativo está reduzindo cada vez mais. Precisamos buscar soluções para evitar a degradação ao nosso Cinturão Verde, que é tão importante para nossa cidade”, destacou.
Na área temos aproximadamente 200 espécies vegetais, 50 mamiferos e 90 aves catalogadas.
[...]
Fonte: Tiago Mairo Garcia / Diário Regional
Data: 22/09/2011
Em sessão realizada na manhã de ontem, 21/09/2011, a Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul aprovou seis novos projetos de lei. Destaque para a aprovação da matéria, idealizada pelo vereador Ari Thessing, que cria a Comissão Permanente do Cinturão Verde (COPECIVE).
Em entrevista ao Diário Regional após a reunião, Thessing salientou que a comissão terá representantes de várias entidades ligadas ao meio ambiente, que segundo o vereador, terão a função de discutir problemas e buscar soluções, visando preservar o maior patrimônio natural do município.
A preocupação do vereador é com o constante avanço da urbanização na área 465 hectares, do bairro Renascença até o Arroio Grande. “O espaço nativo está reduzindo cada vez mais. Precisamos buscar soluções para evitar a degradação ao nosso Cinturão Verde, que é tão importante para nossa cidade”, destacou.
Na área temos aproximadamente 200 espécies vegetais, 50 mamiferos e 90 aves catalogadas.
[...]
Fonte: Tiago Mairo Garcia / Diário Regional
Data: 22/09/2011
Corredor ecológico - opinião do geólogo Wenzel
Cinturão verde, corredor ecológico
Do marco número 01, implantado no Bairro Renascença, junto à RST–287 à margem esquerda do Arroio Lajeado, segue em sentido anti-horário a demarcação do Cinturão Verde, até completar seu perímetro num total de 145 marcos instalados. A poligonal demarcada (Decreto 4117 de 26/05/1994) abrange uma área de 463,786 ha, envolvendo uma considerável porção de terreno ao Norte e a Leste da cidade de Santa Cruz do Sul, estendendo-se ao Sul do Monte Verde. Na justificativa da proposta original (Projeto de Lei 02/L/1993), foi realçada a necessidade de enquadrar a área como de proteção ambiental, por sua reconhecida valia ambiental (manutenção do equilíbrio térmico, infiltração de água, atenuação dos fenômenos erosivos, abrigo de fauna e flora, manutenção do equilíbrio em áreas instáveis – geologicamente sujeitas a desmoronamentos/deslizamentos –, absorção de poeiras e ruídos, embelezamento paisagístico, sensação de harmonia e paz, convivência com a natureza), além de representar um dos últimos resquícios da floresta nativa da Mata Atlântica). Hoje poderíamos acrescentar outros benefícios do Cinturão Verde, como o balanço energético e gasoso, a presença de espécimes endêmicas e o albedo (refletância x absorção), além do aspecto turístico e da possibilidade da certificação pela absorção de CO2.
São tantos os ganhos com a manutenção do Cinturão Verde. Há um que integra todos os demais benefícios: a condição de continuidade, no formato de um maciço desenhado como Corredor Ecológico. Apesar das linhas originais de passagem urbanizada como Acesso Grasel e Rua João Werlang, hoje observamos um fracionamento do conjunto demarcado. Está ocorrendo de forma crescentemente acelerada a descontinuidade do Corredor Ecológico.
Em poucos anos não teremos mais o Cinturão Verde, mas ilhas vegetais na forma de praças, pequenos bosques e árvores isoladas. Estará completamente descaracterizada a formatação original do Cinturão Verde de Santa Cruz do Sul.
Não estamos pregando que não se possa conviver com a área. O que não pode ocorrer é que a ocupação desestruture toda a condição ambiental do cinturão, transformando-o em conjuntos ambientais isolados. O Cinturão Verde tem seu marco inicial implantado junto à Escola José Ferrugem, agregando ao processo de sua preservação o caráter pedagógico. Não deixemos, enquanto comunidade, a herança da desagregração do Cinturão Verde àqueles que dele tanto necessitarão.
José Alberto Wenzel
Geólogo e ambientalista
***Publicada na imprensa em 01/09/2011 (Gazeta do Sul)
Do marco número 01, implantado no Bairro Renascença, junto à RST–287 à margem esquerda do Arroio Lajeado, segue em sentido anti-horário a demarcação do Cinturão Verde, até completar seu perímetro num total de 145 marcos instalados. A poligonal demarcada (Decreto 4117 de 26/05/1994) abrange uma área de 463,786 ha, envolvendo uma considerável porção de terreno ao Norte e a Leste da cidade de Santa Cruz do Sul, estendendo-se ao Sul do Monte Verde. Na justificativa da proposta original (Projeto de Lei 02/L/1993), foi realçada a necessidade de enquadrar a área como de proteção ambiental, por sua reconhecida valia ambiental (manutenção do equilíbrio térmico, infiltração de água, atenuação dos fenômenos erosivos, abrigo de fauna e flora, manutenção do equilíbrio em áreas instáveis – geologicamente sujeitas a desmoronamentos/deslizamentos –, absorção de poeiras e ruídos, embelezamento paisagístico, sensação de harmonia e paz, convivência com a natureza), além de representar um dos últimos resquícios da floresta nativa da Mata Atlântica). Hoje poderíamos acrescentar outros benefícios do Cinturão Verde, como o balanço energético e gasoso, a presença de espécimes endêmicas e o albedo (refletância x absorção), além do aspecto turístico e da possibilidade da certificação pela absorção de CO2.
São tantos os ganhos com a manutenção do Cinturão Verde. Há um que integra todos os demais benefícios: a condição de continuidade, no formato de um maciço desenhado como Corredor Ecológico. Apesar das linhas originais de passagem urbanizada como Acesso Grasel e Rua João Werlang, hoje observamos um fracionamento do conjunto demarcado. Está ocorrendo de forma crescentemente acelerada a descontinuidade do Corredor Ecológico.
Em poucos anos não teremos mais o Cinturão Verde, mas ilhas vegetais na forma de praças, pequenos bosques e árvores isoladas. Estará completamente descaracterizada a formatação original do Cinturão Verde de Santa Cruz do Sul.
Não estamos pregando que não se possa conviver com a área. O que não pode ocorrer é que a ocupação desestruture toda a condição ambiental do cinturão, transformando-o em conjuntos ambientais isolados. O Cinturão Verde tem seu marco inicial implantado junto à Escola José Ferrugem, agregando ao processo de sua preservação o caráter pedagógico. Não deixemos, enquanto comunidade, a herança da desagregração do Cinturão Verde àqueles que dele tanto necessitarão.
José Alberto Wenzel
Geólogo e ambientalista
***Publicada na imprensa em 01/09/2011 (Gazeta do Sul)
12 de mai. de 2011
Iniciativa é do Legislativo
No site da Câmara de Vereadores de Santa Cruz, saiu o seguinte informe:
Notícias Legislativas
29 abril de 2011
Audiência pública discute ocupação do Cinturão Verde.
A situação do Cinturão Verde, área de preservação ambiental que cerca Santa Cruz do Sul está sendo tema de um encontro especial na câmara de Vereadores na manhã desta sexta feira dia 29/04. A proposta do vereador Ari Thessing (PT) é debater a ocupação do local e formas de garantir a sobrevivência da área verde com a participação de entidades que atuam na defesa do ambiente. A audiência publica conta com a participação de várias autoridades dentre as quais, Dra. Simone Spadari Promotora de Justiça da Defesa Comunitária, Alberto Heck Secretário do Meio Ambiente, Dorli Pereira da Silva Secretário de Planejamento e Coordenação de Santa Cruz, Paulo Vanzetto Garcia, além dos vereadores da casa. Os trabalhos iniciaram as 10 h, com o Presidente André Scheibler (PTB) abrindo os trabalhos, saudando os presentes e compondo a mesa diretora dos trabalhos com as autoridades convidadas. “O Cinturão está pedindo socorro”, alertou Thessing. “Precisamos avaliar o que está sendo feito e o que se pode fazer.” O secretário de Meio Ambiente, Alberto Heck, disse considerar a iniciativa válida. Lembrou ainda que propostas para fazer do Cinturão uma área de preservação pública são antigas, mas que o debate sofre interferências em razão dos interesses da iniciativa privada. A partir da presente reunião se espera fazer um estudo mais minucioso, para só depois se liberar licenças para novos empreendimentos imobiliários que possam prejudicar as áreas verdes que compõe o Cinturão Verde.
Notícias Legislativas
29 abril de 2011
Audiência pública discute ocupação do Cinturão Verde.
A situação do Cinturão Verde, área de preservação ambiental que cerca Santa Cruz do Sul está sendo tema de um encontro especial na câmara de Vereadores na manhã desta sexta feira dia 29/04. A proposta do vereador Ari Thessing (PT) é debater a ocupação do local e formas de garantir a sobrevivência da área verde com a participação de entidades que atuam na defesa do ambiente. A audiência publica conta com a participação de várias autoridades dentre as quais, Dra. Simone Spadari Promotora de Justiça da Defesa Comunitária, Alberto Heck Secretário do Meio Ambiente, Dorli Pereira da Silva Secretário de Planejamento e Coordenação de Santa Cruz, Paulo Vanzetto Garcia, além dos vereadores da casa. Os trabalhos iniciaram as 10 h, com o Presidente André Scheibler (PTB) abrindo os trabalhos, saudando os presentes e compondo a mesa diretora dos trabalhos com as autoridades convidadas. “O Cinturão está pedindo socorro”, alertou Thessing. “Precisamos avaliar o que está sendo feito e o que se pode fazer.” O secretário de Meio Ambiente, Alberto Heck, disse considerar a iniciativa válida. Lembrou ainda que propostas para fazer do Cinturão uma área de preservação pública são antigas, mas que o debate sofre interferências em razão dos interesses da iniciativa privada. A partir da presente reunião se espera fazer um estudo mais minucioso, para só depois se liberar licenças para novos empreendimentos imobiliários que possam prejudicar as áreas verdes que compõe o Cinturão Verde.
Cinturão volta à discussão
Volta e meia, o Cinturão Verde volta ao debate. Muito bom. E muito bom que está surgindo uma iniciativa importante: a criação de uma "comissão permanente de proteção".
Abaixo, segue a divulgação da reportagem do jornalista Adriano Júnior, publicado no site do Grupo Gazeta:
29/04/2011 - 16h46
Câmara vai criar comissão em defesa do Cinturão Verde
Audiência pública debateu a questão da preservação da maior área verde de Santa Cruz
O cinturão verde pede socorro em Santa Cruz
Conhecido como pulmão de Santa Cruz, o Cinturão Verde vai ganhar uma comissão permanente de proteção. A decisão foi tomada na manhã desta sexta-feira, 28, na Câmara de Vereadores, onde ocorreu uma audiência pública que teve por objetivo debater a preservação da maior área verde do município. A proposta era do vereador Ari Thessing (PT), que avaliou como positivo o encontro.
Além dos poderes Legislativo e Executivo, outras entidades marcaram presença, entre elas o Ministério Público, a Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos (Seasc), Sociedade das Empresas Imobiliárias de Santa Cruz (Seisc) e Conselho Municipal do Meio Ambiente. A ausência da Universidade de Santa Cruz foi criticada durante os debates na Câmara.
A atual legislação foi criticada e a devastação do Cinturão Verde também foi debatida. O presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente, Mário Dumer, considerou a audiência pública muito importante. Conforme ele, a atual legislação tem instrumentos que permitem a fiscalização rigorosa da devastação.
Abaixo, segue a divulgação da reportagem do jornalista Adriano Júnior, publicado no site do Grupo Gazeta:
29/04/2011 - 16h46
Câmara vai criar comissão em defesa do Cinturão Verde
Audiência pública debateu a questão da preservação da maior área verde de Santa Cruz
O cinturão verde pede socorro em Santa Cruz
Conhecido como pulmão de Santa Cruz, o Cinturão Verde vai ganhar uma comissão permanente de proteção. A decisão foi tomada na manhã desta sexta-feira, 28, na Câmara de Vereadores, onde ocorreu uma audiência pública que teve por objetivo debater a preservação da maior área verde do município. A proposta era do vereador Ari Thessing (PT), que avaliou como positivo o encontro.
Além dos poderes Legislativo e Executivo, outras entidades marcaram presença, entre elas o Ministério Público, a Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos (Seasc), Sociedade das Empresas Imobiliárias de Santa Cruz (Seisc) e Conselho Municipal do Meio Ambiente. A ausência da Universidade de Santa Cruz foi criticada durante os debates na Câmara.
A atual legislação foi criticada e a devastação do Cinturão Verde também foi debatida. O presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente, Mário Dumer, considerou a audiência pública muito importante. Conforme ele, a atual legislação tem instrumentos que permitem a fiscalização rigorosa da devastação.
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