Saiu ontem, 26/10/2011, um “pequeno- grande” texto na imprensa santa-cruzense (Gazeta do Sul, p. 2), apresentando a importância da biodiversidade única do Cinturão Verde, ilustrada pela bromélia de nome cientípfico Aechmea winkleri, apenas existente nessa área (e em mais lugar algum do mundo!) e fundamental na manutenção do ecossistema local e riquesa das espécies vivas do planeta Terra.
Parabéns a bióloga que o escreveu. Esperamos que sensibilize muitas pessoas. Eis o texto:
Salve a bromélia endêmica do Cinturão Verde
Mais uma vez nos deparamos com a notícia de desmatamento dentro do nosso Cinturão Verde!! Não bastasse o desmatamento “licenciado”, vemos também com frequência a derrubada de árvores de forma ilegal. A indignação de quem trabalha em prol da preservação é cada vez maior, e digo isso porque desde 2008 venho realizando pesquisa com a bromélia Aechmea winkleri, que, como muitas vezes já foi publicado, é endêmica do cinturão, ou seja, ela só ocorre no Cinturão Verde e em nenhum outro lugar do mundo.
Hoje conhecemos um pouco mais da sua biologia e do seu papel na região. Sabemos, por exemplo, que para que ela consiga se reproduzir, depende da presença de beija-flores, abelhas e borboletas. Sabemos ainda que muitos pássaros e mamíferos se alimentam dos seus frutos e flores. A cada árvore derrubada, muitas bromélias acabam sendo eliminadas junto com ela, pois bromélias são espécies epífitas, que vivem sobre as árvores sem prejudicá-las.
Além disso, cada área desmatada faz com que a conexão, o corredor, entre uma população de bromélia e outra, seja perdido, trazendo consequências desastrosas para a nossa bromélia endêmica e espécies associadas.
Se o desmatamento visto atualmente não for barrado, muito provavelmente a bromélia irá sumir e junto com ela todas as espécies associadas!! Até quando ficaremos de braços cruzados, deixando isso acontecer? Quantos de vocês conhecem a bromélia Aechmea winkleri? Querem que as futuras gerações a conheçam? Temos que fazer algo, e urgente!!
Márcia Goetze, Biológa, Núcleo Genética e Conservação de Plantas/Ufrgs
27 de out. de 2011
26 de out. de 2011
Cinturão cede cada vez mais à especulação
Na Gazeta do Sul deste fim de semana saiu uma matéria muito interessante, trazendo a denúncia de moradores das redondezas da divisa dos bairros Santo Inácio e Higienópolis a respeito de um novo loteamento, cuja abertura está destruindo o Cinturão Verde, como já o fizeram outros vários, construídos em zonas questionáveis sobre vários aspectos – mas todos com “respaldos” "ambientais" e "ambientalistas". Por conta do dinheiro se pervertem muitas coisas...
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22/10/2011
Desmatamento revolta moradores
Máquinas e operários trabalham há três semanas na derrubada para a construção de empreendimento
Jeniffer Gularte (repórter)
Enquanto o mapa residencial de Santa Cruz do Sul não para de crescer, a área do maior patrimônio natural da cidade fica cada vez menor. Loteamentos que utilizam o Cinturão Verde como quintal comprometem a preservação dos 465 hectares do pulmão do município. O mais novo empreendimento, que até a metade do ano que vem deve colocar 16 lotes à venda, tem revoltado moradores que não se conformam com a derrubada da vegetação.
Há pelo menos três semanas máquinas e operários têm movimentado uma área na divisa dos bairros Santo Inácio e Higienópolis, local onde o condomínio Parque das Flores será instalado. Um terreno de seis hectares de propriedade particular será loteado pela Construtora Rech. Enquanto o maquinário ajuda a mudar o cenário do cinturão, os vizinhos do desmatamento se mobilizaram para tentar impedir a queda das árvores. “Estão derrubando encostas superiores a 45 graus, que não podem ser cortadas. Quando vier chuva forte o morro virá abaixo”, alerta a engenheira florestal Rejane Bender, que mora no condomínio JackLand ll, localizado nas adjacências.
As medições no local iniciaram há pelo menos cinco anos, segundo ela. “Dói ver esse trabalho porque a gente sabe que não vai ficar só nisso. Assusta ver todas essas árvores sendo derrubadas.” Segundo o pediatra Jorge Bertão, que também reside próximo no condomínio, as máquinas trabalham inclusive aos finais de semana. “Estão derrubando o morro e vão remover terra para rebaixar a área”, afirma.
O caso foi levado no início da semana para o Ministério Público. Os moradores do JackLand II defendem que a Prefeitura não poderia ter dado o licenciamento para a construtora. A promotora de Defesa Comunitária, Simone Spadari, disse que enviou à Prefeitura um ofício na segunda-feira solicitando uma cópia do licenciamento ambiental do local. Até sexta-feira à tarde o MP continuava aguardando a resposta.
O que diz a Rech
-Dentro da área de seis hectares, a assessoria jurídica da empresa afirma que só estão sendo cortadas as plantas que foram liberadas para derrubada pela secretaria municipal.
-O empreendimento está sendo planejado há cinco anos. Atualmente a Terraplenagem Sotel trabalha na abertura de uma rua nos fundos do condomínio JackLand II. Essa será a única via do loteamento.
-Os próximos passos incluem a drenagem da área, colocação de rede pluvial, de esgoto cloacal e estação de tratamento de esgoto, além de luz elétrica e pavimentação do trecho.
-Os lotes ocupam dois hectares e os outros quatro serão de área preservada. A empresa garante que irá manter a vegetação nas encostas do morro.
-No primeiro semestre de 2012, os lotes deverão estar prontos para a venda. O preço dos terrenos ainda não está definido.
Força-tarefa começa a fiscalizar denúncias
Há pelo menos 15 dias a sede da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler (Fepam) de Santa Cruz do Sul tem recebido denúncias de desmatamento irregular para a construção de loteamentos, a maioria deles na área do Cinturão Verde. Na semana que vem a equipe do órgão inicia uma força-tarefa para verificar a procedência das queixas, incluindo os cortes feitos para a execução do empreendimento da Construtora Rech.
Seis denúncias serão analisadas. A gerente regional da Fepam, Alessandra de Quadros, informa que algumas vistorias já foram feitas na semana passada e encaminhadas para a sede do órgão em Porto Alegre. “O município tem o total direito de licenciar. No entanto analisaremos quais são cabíveis ou não”, esclareceu.
Assim que o levantamento estiver concluído, o estudo será encaminhado ao Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), responsável por tomar as medidas em caso de irregularidades.
Empresa deve repor 705 plantas até 2012
Para o execução do loteamento, a Construtora Rech irá derrubar 47 árvores nativas além de outras espécies exóticas. Para cada planta derrubada, a empresa terá que repor outras 15 no local. Até agosto de 2012, 705 mudas deverão ser repostas na área de seis hectares. O projeto prevê 16 lotes, dos quais cinco estão dentro da área do Cinturão Verde.
Segundo o secretário de Meio Ambiente, Alberto Heck, serão cinco lotes que devem ter, no mínimo, 10 mil metros quadrados cada um. “Esses lotes têm bastante vegetação e 90% dela tem que ser preservada.”
A licença prévia para a exploração da área foi dada em fevereiro de 2009 e a licença para o corte foi concedida em julho.
A secretaria recebeu durante a semana reclamações devido ao corte na área. “A gente entende a reação da comunidade porque de fato o impacto visual é forte. Mas a licença saiu daqui porque atende às exigências do Plano Diretor.”
Nessa sexta-feira técnicos da secretaria foram ao local para averiguar o trabalho.
A expectativa é de que o relatório, que será realizado em conjunto com o Departamento de Flores e Áreas Protegidas (Defap), esteja concluído até o final da próxima semana.
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22/10/2011
Desmatamento revolta moradores
Máquinas e operários trabalham há três semanas na derrubada para a construção de empreendimento
Jeniffer Gularte (repórter)
Enquanto o mapa residencial de Santa Cruz do Sul não para de crescer, a área do maior patrimônio natural da cidade fica cada vez menor. Loteamentos que utilizam o Cinturão Verde como quintal comprometem a preservação dos 465 hectares do pulmão do município. O mais novo empreendimento, que até a metade do ano que vem deve colocar 16 lotes à venda, tem revoltado moradores que não se conformam com a derrubada da vegetação.
Há pelo menos três semanas máquinas e operários têm movimentado uma área na divisa dos bairros Santo Inácio e Higienópolis, local onde o condomínio Parque das Flores será instalado. Um terreno de seis hectares de propriedade particular será loteado pela Construtora Rech. Enquanto o maquinário ajuda a mudar o cenário do cinturão, os vizinhos do desmatamento se mobilizaram para tentar impedir a queda das árvores. “Estão derrubando encostas superiores a 45 graus, que não podem ser cortadas. Quando vier chuva forte o morro virá abaixo”, alerta a engenheira florestal Rejane Bender, que mora no condomínio JackLand ll, localizado nas adjacências.
As medições no local iniciaram há pelo menos cinco anos, segundo ela. “Dói ver esse trabalho porque a gente sabe que não vai ficar só nisso. Assusta ver todas essas árvores sendo derrubadas.” Segundo o pediatra Jorge Bertão, que também reside próximo no condomínio, as máquinas trabalham inclusive aos finais de semana. “Estão derrubando o morro e vão remover terra para rebaixar a área”, afirma.
O caso foi levado no início da semana para o Ministério Público. Os moradores do JackLand II defendem que a Prefeitura não poderia ter dado o licenciamento para a construtora. A promotora de Defesa Comunitária, Simone Spadari, disse que enviou à Prefeitura um ofício na segunda-feira solicitando uma cópia do licenciamento ambiental do local. Até sexta-feira à tarde o MP continuava aguardando a resposta.
O que diz a Rech
-Dentro da área de seis hectares, a assessoria jurídica da empresa afirma que só estão sendo cortadas as plantas que foram liberadas para derrubada pela secretaria municipal.
-O empreendimento está sendo planejado há cinco anos. Atualmente a Terraplenagem Sotel trabalha na abertura de uma rua nos fundos do condomínio JackLand II. Essa será a única via do loteamento.
-Os próximos passos incluem a drenagem da área, colocação de rede pluvial, de esgoto cloacal e estação de tratamento de esgoto, além de luz elétrica e pavimentação do trecho.
-Os lotes ocupam dois hectares e os outros quatro serão de área preservada. A empresa garante que irá manter a vegetação nas encostas do morro.
-No primeiro semestre de 2012, os lotes deverão estar prontos para a venda. O preço dos terrenos ainda não está definido.
Força-tarefa começa a fiscalizar denúncias
Há pelo menos 15 dias a sede da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler (Fepam) de Santa Cruz do Sul tem recebido denúncias de desmatamento irregular para a construção de loteamentos, a maioria deles na área do Cinturão Verde. Na semana que vem a equipe do órgão inicia uma força-tarefa para verificar a procedência das queixas, incluindo os cortes feitos para a execução do empreendimento da Construtora Rech.
Seis denúncias serão analisadas. A gerente regional da Fepam, Alessandra de Quadros, informa que algumas vistorias já foram feitas na semana passada e encaminhadas para a sede do órgão em Porto Alegre. “O município tem o total direito de licenciar. No entanto analisaremos quais são cabíveis ou não”, esclareceu.
Assim que o levantamento estiver concluído, o estudo será encaminhado ao Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), responsável por tomar as medidas em caso de irregularidades.
Empresa deve repor 705 plantas até 2012
Para o execução do loteamento, a Construtora Rech irá derrubar 47 árvores nativas além de outras espécies exóticas. Para cada planta derrubada, a empresa terá que repor outras 15 no local. Até agosto de 2012, 705 mudas deverão ser repostas na área de seis hectares. O projeto prevê 16 lotes, dos quais cinco estão dentro da área do Cinturão Verde.
Segundo o secretário de Meio Ambiente, Alberto Heck, serão cinco lotes que devem ter, no mínimo, 10 mil metros quadrados cada um. “Esses lotes têm bastante vegetação e 90% dela tem que ser preservada.”
A licença prévia para a exploração da área foi dada em fevereiro de 2009 e a licença para o corte foi concedida em julho.
A secretaria recebeu durante a semana reclamações devido ao corte na área. “A gente entende a reação da comunidade porque de fato o impacto visual é forte. Mas a licença saiu daqui porque atende às exigências do Plano Diretor.”
Nessa sexta-feira técnicos da secretaria foram ao local para averiguar o trabalho.
A expectativa é de que o relatório, que será realizado em conjunto com o Departamento de Flores e Áreas Protegidas (Defap), esteja concluído até o final da próxima semana.
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