Saiu no Diário Regional:
Em sessão realizada na manhã de ontem, 21/09/2011, a Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul aprovou seis novos projetos de lei. Destaque para a aprovação da matéria, idealizada pelo vereador Ari Thessing, que cria a Comissão Permanente do Cinturão Verde (COPECIVE).
Em entrevista ao Diário Regional após a reunião, Thessing salientou que a comissão terá representantes de várias entidades ligadas ao meio ambiente, que segundo o vereador, terão a função de discutir problemas e buscar soluções, visando preservar o maior patrimônio natural do município.
A preocupação do vereador é com o constante avanço da urbanização na área 465 hectares, do bairro Renascença até o Arroio Grande. “O espaço nativo está reduzindo cada vez mais. Precisamos buscar soluções para evitar a degradação ao nosso Cinturão Verde, que é tão importante para nossa cidade”, destacou.
Na área temos aproximadamente 200 espécies vegetais, 50 mamiferos e 90 aves catalogadas.
[...]
Fonte: Tiago Mairo Garcia / Diário Regional
Data: 22/09/2011
22 de set. de 2011
Corredor ecológico - opinião do geólogo Wenzel
Cinturão verde, corredor ecológico
Do marco número 01, implantado no Bairro Renascença, junto à RST–287 à margem esquerda do Arroio Lajeado, segue em sentido anti-horário a demarcação do Cinturão Verde, até completar seu perímetro num total de 145 marcos instalados. A poligonal demarcada (Decreto 4117 de 26/05/1994) abrange uma área de 463,786 ha, envolvendo uma considerável porção de terreno ao Norte e a Leste da cidade de Santa Cruz do Sul, estendendo-se ao Sul do Monte Verde. Na justificativa da proposta original (Projeto de Lei 02/L/1993), foi realçada a necessidade de enquadrar a área como de proteção ambiental, por sua reconhecida valia ambiental (manutenção do equilíbrio térmico, infiltração de água, atenuação dos fenômenos erosivos, abrigo de fauna e flora, manutenção do equilíbrio em áreas instáveis – geologicamente sujeitas a desmoronamentos/deslizamentos –, absorção de poeiras e ruídos, embelezamento paisagístico, sensação de harmonia e paz, convivência com a natureza), além de representar um dos últimos resquícios da floresta nativa da Mata Atlântica). Hoje poderíamos acrescentar outros benefícios do Cinturão Verde, como o balanço energético e gasoso, a presença de espécimes endêmicas e o albedo (refletância x absorção), além do aspecto turístico e da possibilidade da certificação pela absorção de CO2.
São tantos os ganhos com a manutenção do Cinturão Verde. Há um que integra todos os demais benefícios: a condição de continuidade, no formato de um maciço desenhado como Corredor Ecológico. Apesar das linhas originais de passagem urbanizada como Acesso Grasel e Rua João Werlang, hoje observamos um fracionamento do conjunto demarcado. Está ocorrendo de forma crescentemente acelerada a descontinuidade do Corredor Ecológico.
Em poucos anos não teremos mais o Cinturão Verde, mas ilhas vegetais na forma de praças, pequenos bosques e árvores isoladas. Estará completamente descaracterizada a formatação original do Cinturão Verde de Santa Cruz do Sul.
Não estamos pregando que não se possa conviver com a área. O que não pode ocorrer é que a ocupação desestruture toda a condição ambiental do cinturão, transformando-o em conjuntos ambientais isolados. O Cinturão Verde tem seu marco inicial implantado junto à Escola José Ferrugem, agregando ao processo de sua preservação o caráter pedagógico. Não deixemos, enquanto comunidade, a herança da desagregração do Cinturão Verde àqueles que dele tanto necessitarão.
José Alberto Wenzel
Geólogo e ambientalista
***Publicada na imprensa em 01/09/2011 (Gazeta do Sul)
Do marco número 01, implantado no Bairro Renascença, junto à RST–287 à margem esquerda do Arroio Lajeado, segue em sentido anti-horário a demarcação do Cinturão Verde, até completar seu perímetro num total de 145 marcos instalados. A poligonal demarcada (Decreto 4117 de 26/05/1994) abrange uma área de 463,786 ha, envolvendo uma considerável porção de terreno ao Norte e a Leste da cidade de Santa Cruz do Sul, estendendo-se ao Sul do Monte Verde. Na justificativa da proposta original (Projeto de Lei 02/L/1993), foi realçada a necessidade de enquadrar a área como de proteção ambiental, por sua reconhecida valia ambiental (manutenção do equilíbrio térmico, infiltração de água, atenuação dos fenômenos erosivos, abrigo de fauna e flora, manutenção do equilíbrio em áreas instáveis – geologicamente sujeitas a desmoronamentos/deslizamentos –, absorção de poeiras e ruídos, embelezamento paisagístico, sensação de harmonia e paz, convivência com a natureza), além de representar um dos últimos resquícios da floresta nativa da Mata Atlântica). Hoje poderíamos acrescentar outros benefícios do Cinturão Verde, como o balanço energético e gasoso, a presença de espécimes endêmicas e o albedo (refletância x absorção), além do aspecto turístico e da possibilidade da certificação pela absorção de CO2.
São tantos os ganhos com a manutenção do Cinturão Verde. Há um que integra todos os demais benefícios: a condição de continuidade, no formato de um maciço desenhado como Corredor Ecológico. Apesar das linhas originais de passagem urbanizada como Acesso Grasel e Rua João Werlang, hoje observamos um fracionamento do conjunto demarcado. Está ocorrendo de forma crescentemente acelerada a descontinuidade do Corredor Ecológico.
Em poucos anos não teremos mais o Cinturão Verde, mas ilhas vegetais na forma de praças, pequenos bosques e árvores isoladas. Estará completamente descaracterizada a formatação original do Cinturão Verde de Santa Cruz do Sul.
Não estamos pregando que não se possa conviver com a área. O que não pode ocorrer é que a ocupação desestruture toda a condição ambiental do cinturão, transformando-o em conjuntos ambientais isolados. O Cinturão Verde tem seu marco inicial implantado junto à Escola José Ferrugem, agregando ao processo de sua preservação o caráter pedagógico. Não deixemos, enquanto comunidade, a herança da desagregração do Cinturão Verde àqueles que dele tanto necessitarão.
José Alberto Wenzel
Geólogo e ambientalista
***Publicada na imprensa em 01/09/2011 (Gazeta do Sul)
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